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ORIGEM DO NOME DA CIDADE |
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Do tupi gûaru e do português –lhos
Gûaru, tipo de peixe conhecido como barrigudinho
A história do nome da cidade começa com a tribo dos maramomis. Caracterizados pela baixa estatura e grande força, que os diferenciava de seus inimigos tupi, que eram mais altos e esguios, os maramomis foram apelidados de gûaru por seus oponentes. Conhecido com barrigudinho, o gûaru é um peixe muito comum nas águas paulistas, usado como apelido pejorativo pelo fato das fêmeas da espécie possuírem ventre pronunciado que lhes dá uma aparência estranha.
A partícula –lhos foi adicionada pelos padres jesuítas, para dar a impressão de plural a palavra, pois em tupi não há diferenciação entre singular e plural.
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NOTÍCIAS E PAUTAS |
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Turismo Corporativo é realidade em Guarulhos
Temos o costume de medir a beleza das cidades em função de seus atributos naturais. Praia, rios, montanhas, serras são os elementos mais comuns de beleza. Guarulhos, por sua vez, além de sua beleza comum a muitas cidades de igual porte, tem um diferencial: sua beleza econômica. Saiba mais.... |
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As Águas e Nascentes Paulista |
| Por Jarbas Favoretto* |
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Um consórcio de onze cidades foi criado para fomentar o que chamam de “Circuito Turístico Caminho das Águas Nascentes”. Esse roteiro turístico engloba uma importante área de proteção ambiental e de ricos mananciais, recursos naturais e histórico-culturais.
Fica na região metropolitana da capital e seu principal tributo é a nascente do Rio Tietê. É uma ótima opção de turismo, lazer e inúmeros hotéis-fazenda, pousadas, parques, haras, pesqueiros e restaurantes.
As cidades são Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Santa Isabel, Suzano e a destacada Salesópolis, onde nasce o Tietê.
Alguns atrativos
No roteiro acima temos o complexo de lazer “Magic City” em Suzano, onde também está o Templo Budista “Daigtozan Jomyoji”. Na cidade de Poá temos o Balneário “Vicente Leporace” e uma praça de eventos de 30 mil m2. Por sua vez, em Ferraz de Vasconcelos está a maior videira do Brasil, berço da uva Itália entre nós, mais o “Castelinho” e o “Turcão” (um local para eventos com complexo poli esportivo).
Um parque ecológico é um dos atrativos de Itaquaquecetuba.
Esportes de Aventura você encontra em Santa Isabel, onde tem o Sítio Embaúba e a Igreja NS do Rosário, de 1723. Em Guararema você pode curtir o “Recanto do Américo”, o “Parque da Pedra Montada” e o “Parque da Ilha Grande”. |
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Em Mogi das Cruzes o visitante vai preferir o “Parque das Neblinas”, a “Colônia Itapeti” e o já tombado “Museu do Carmo”. Em Biritiba Mirim o “Aeroclube”, o “Vale Encantado” e o “Haras Marcon”. Arujá integra o circuito com a Igreja Penhinha, seu coreto e o Lago São Domingos.
Salesópolis exibe a nascente já citada, a Usina Parque e a Barragem da Ponte Nova. A cidade que abriga o nosso Aeroporto Internacional apresenta, ainda, o “Bosque Maia” e o Zoológico Municipal. Visite!
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Nascentes do Tietê, cercadas de rochas, brotam de três pontos. Foto Jarbas Favoretto |
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* Presidente da Amitur - Associação dos Municípios
de Interesse Cultural e Turístico |
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SALÃO DE ARTES VISUAIS DE GUARULHOS – ARTE
MODERNA E CONTEMPORÂNEA |
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Em 1998, a Secretaria de Cultura de Guarulhos promovia o que seria o embrião do atual Salão de Artes Visuais. Tratava-se de uma mostra que reunia trabalhos de artistas plásticos e fotógrafos. Depois da primeira edição, o projeto só foi retomado em 2001, dessa vez com o nome que traz até hoje.
Maria do Rosário, coordenadora do Salão de Artes Visuais, explica que desde a primeira edição até a oitava, que acontece em 2008, muita coisa mudou. “A partir de 2002, o projeto passou a apresentar uma tendência, nos propusemos a mostrar a arte moderna e contemporânea. O Salão foi ganhando um ar de vanguarda, digamos assim”, diz.
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Arte moderna e contemporânea ganha destaque com o Salão
de Artes Visuais
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De acordo com Maria do Rosário, Guarulhos tem uma produção de arte acadêmica muito intensa. Ainda assim, o Salão de Artes apresenta o trabalho de artistas não só da cidade, mas do Brasil todo. Em 2008, profissionais de mais de quatro estados participaram do projeto.
Se na primeira edição havia apenas as categorias artes plásticas e fotografia, neste ano elas já somam oito: escultura, gravura, desenho, instalação, objetos, arte digital, pintura e fotografia.
A necessidade de expandir o número de categorias foi surgindo conforme a demanda dos trabalhos. Muitas peças acabavam criando confusão, pela dificuldade de serem encaixadas em determinados grupos. Foi por essa motivo que, no ano passado, a organização do Salão decidiu implantar a categoria “arte digital”.
Rosário conta que havia muita dificuldade especialmente em classificar obras que são fotos, mas que apresentavam intervenções digitais. “A categoria arte digital surgiu da necessidade em agregar novas tendências e tecnologias”, explica a coordenadora.
Os artistas podem inscrever obras que tenham sido executadas a partir de 2006, e que estejam inseridas no contexto moderno e contemporâneo. Essas são algumas das condições que a organização estipula. O regulamento completo está disponível no site da prefeitura.
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Podem ser inscritas obras que tenham sido feitas a partir de 2006
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A seleção das obras é feita em duas etapas, por três jurados. Marilene Bertolazzo, assessora de imprensa da Secretaria de Cultura, explica que a escolha do júri técnico fica a cargo da coordenação de Artes Visuais da própria secretaria. |
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“São sempre três pessoas de notória experiência na área – artistas plásticos e críticos de arte”, afirma.
8ª edição em 2008
A mostra em 2008 aconteceu de 11 de outubro a 8 de novembro, pela terceira vez sediada no Salão de Exposições do Centro Municipal de Educação Adamastor. Foram inscritas 237 obras de 94 artistas que passaram por um processo de seleção com duas etapas.
Resistiram ao crivo 79 trabalhos feitos por artistas de diversas regiões do país, como o Rio de Janeiro, Ceará, Rio Grande de Sul, São Paulo, entre outros.
O público teve a chance de escolher quais eram suas produções preferidas, votando em urnas colocadas no espaço do evento. Foi possível também votar pela internet, no site da prefeitura. Somando às escolhas de especialistas, a votação do público decide quais são os três artistas vencedores, que participam de mostras individuais ou coletivas – a critério da organização – em espaços culturais da cidade em 2009.
O vencedor escolhido pelo júri técnico na edição de 2008 foi o artista plástico de Itatiba (SP) Ivo Grilo, com a instalação “Desmemória”.
Reação do público
A chamada arte moderna e contemporânea que é exposta no evento pode causar espanto aos espectadores. Isso porque a busca pela inovação que muitas vezes motiva os artistas pode não ser bem assimilada por quem entra em contato com a arte.
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Algumas obras causam espanto e chocam os visitantes
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A reação do público diante das obras é diversa. Rosário explica que, grosso modo, existem dois tipos de trabalhos: uns que possuem apelo afetivo e por isso cativam o público, outros que são feitos justamente para chocar, fogem ao puro exercício de contemplação. O Salão de Artes congrega essas e outras abordagens, por isso os visitantes se expressam de maneiras muito distintas.
“Vemos reações de intolerância, mas também de admiração. Algumas obras foram feitas pra chocar, por isso geram uma resposta imediata”, comenta a coordenadora. “Quem acompanha isso de perto é o José Cupertino, monitor da exposição, ele nos conta muitas situações engraçadas”, diverte-se Maria do Rosário.
Serviço
8ª Salão de Artes Visuais de Guarulhos
Centro Municipal de Educação Adamastor – Av. Monteiro Lobato, 734, Macedo, Guarulhos
Tel: 11 2451 5184
Texto: Daniella Cornachione
Fotos: Márcio Lino e José Luiz/ Prefeitura Municipal de Guarulhos
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| Aguardando histórias e curiosidades. |
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Guarulhos teve sua origem como elemento de defesa do povoado de São Paulo. Com a denominação de Nossa Senhora da Conceição é fundado em 8 de dezembro de 1560 o aldeamento dos índios Guarus da tribo dos Guaianases, integrantes da nação Tupi, pelo Padre Jesuíta Manuel de Paiva.
Seu crescimento econômico deu-se inicialmente em função da mineração de ouro. As minas foram descobertas em 1590 por Afonso Sardinha, localizada na atual região do Bairro dos Lavras, cujas antigas denominações eram Serra de Jaguamimbaba, Mantiqueira e Lavras-Velhas-do-Geraldo.
"Assim, pois, na altura de 1750, existiam mineiros extraindo ouro nas "Lavras Velhas do Geraldo". É possível que este tenha sido o período de maior atividade, tendo-se esgotado com ela as referidas lavras (...).
Aquelas "Lavras Velhas do Geraldo", hoje podem ser vistas na margem direita da estrada que se dirige de Cumbica para Nazaré. A parte mais lavrada do terreno acha-se no ângulo formado pela estrada que ali se bifurca, um rumo em direção a Nazaré, e outro para Bom Sucesso".
(Ferreira, 1958)
"Houve pelo menos seis lavras em território guarulhense que se localizam em pontos diferentes de uma vasta área, compreendendo algumas dezenas de quilômetros quadrados, onde se acham os bairros de Lavras, Catas Velhas, Monjolo de Ferro (esta deve ter sido a chamada 'Lavras Velhas do Geraldo'), Campo dos Ouros, Bananal e Tanque Grande". (Noronha & Romão, 1980)
Entre os séculos XVII e XVIII notamos momentos de grande interesse por Guarulhos haja vista a quantidade de número de ordens estabelecendo as sesmarias (responsáveis pela ocupação e assentamentos na época do Brasil Colônia) expedidas para a região.
Os sesmeiros se dedicaram à agricultura e à mineração e, como atividade de apoio, criavam gado vacum e cavalar. Ressaltamos que os engenhos de açúcar que se iniciaram nos anos seiscentistas estenderam-se até o início do século XX, com a produção de álcool e aguardente. A agricultura da região possivelmente sofreu com o clima úmido e frio que acarretou ferrugem ao trigo, mosaico a cana e curuquerê ao algodão.
Em 02 de outubro de 1845, chega a Conceição dos Guarulhos, memorando expedido pelo Palácio do Governo, ordenando o cumprimento da circular de 02 de outubro de 1845 que estipulava o contrato de locação dos serviços prestados pelos índios.
O trabalho escravo negro (de origem sudanesa, denominados Gegês) foi utilizado em larga escala. Com o advento da paralisação da mineração do ouro, muitos negros acompanharam seus senhores na debanda que marcou a decadência do povoado - fim do ciclo do ouro.
Segundo o tombamento das propriedades rurais da Capitania de São Paulo de 1817, registraram-se 183 escravos na Freguesia da Conceição dos Guarulhos, pertencentes a 28 lavradores das seguintes áreas: Bom Jesus, Bom Sucesso, Guavirotuba, Itaverava, Lavras, Pirucaia, São Gonçalo, São Miguel (Pimentas) e Varados.
Após a Lei Áurea (1888) escasseou-se a mão-de-obra e tornou-se mais difícil o processo de retalhamento das antigas sesmarias que, apesar das dificuldades, se manteve ininterrupto surgindo os "cercamentos" como linha divisória.
Em 03 de fevereiro de 1883 chegou via correio um quilo de sementes de trigo arroz destinadas aos lavradores do Município, oriundas da Província.
Em 30 de maio de 1901 foi publicada a súmula da produção do Município, onde encontramos registrado a produção de aguardente (30 engenhos), de arroz (12 propriedades), de café (4 propriedades), de feijão (200 propriedades), de milho (200 propriedades), de tabaco (1 propriedade), de carvão (10 propriedades), de vinho (2 propriedades), além da criação de gado: cavalar (300 cabeças), caprinos (20 cabeças), suínos (100 cabeças), vacum (300 cabeças) e 5 produtores na área de apicultura.
No final do século XIX, discutiu-se na Câmara Municipal a necessidade da região ser servida pela estrada de ferro. A justificativa recaia às riquezas dos recursos naturais da região, mais especificamente à produção de madeira e pedra, além da produção de tijolos, dado o grande número de olarias em funcionamento, sendo que toda a produção estava direcionada às crescentes edificações da capital, justificando então a implantação do ramal ferroviário que se efetivou somente em 1915, com a inauguração do Ramal Guapyra - Guarulhos, o trem da Cantareira.
Foram cinco as estações em território guarulhense: Vila Galvão, Torres Tibagy, Gopoúva, Vila Augusta e Guarulhos, além do prolongamento até a Base Aérea.
O início do século XX foi marcado pela chegada: da Estrada de Ferro, da energia elétrica (Light & Power), dos pedidos para instalação da rede telefônica, licenças para implantação de indústrias de atividades comerciais e dos serviços de transporte de passageiros.
Nota-se através dos atos da Câmara Municipal a preocupação com o desmatamento, poluição das águas, caça de pássaros, implantação de esgoto, abastecimento de água potável e a implantação de leis estipulando a construção de muros (proibindo cercas de arame) nas ruas que a Câmara definia para regularizar e assentar guias.
Os anos 30 foram marcados pelos atos de Intervenção Federal, Constituição da Junta Governativa de Guarulhos e pelo Movimento Constitucionalista. (Reflexos da Revolução de 30 - fim da República).
Em 1940 foi inaugurada a Biblioteca Pública Municipal em 1941 o primeiro Centro de Saúde da cidade e dez anos após inaugurou-se a Santa Casa de Misericórdia de Guarulhos.
Na década de 40 chegaram ao Município indústrias do setor elétrico, metalúrgico, plástico, alimentício, borracha, calçados, peças para automóveis, relógios e couros.
Vários foram os planos de loteamento e arruamento aprovados pela Câmara Municipal no decorrer dessa década, o setor de obras da Prefeitura adquiriu máquinas, ampliou-se o Paço Municipal e a iluminação das vias públicas.
A despeito da inexistência de qualquer documento que determine a época da fundação de Guarulhos, os historiadores que se referem a sua origem, quer levados por elementos recolhidos da tradição, quer pelo confronto dos fatos históricos da cidade de S. Paulo, fixam o ano de 1560 como o início do aldeamento e colonização dos índios guarulhos, no lugar que ainda conserva esse nome. Assim o atesta o Padre Celestino Gomes d' Oliveira Figueiredo, em seu relatório de 1913, no terceiro livro do tombo da Paróquia de Guarulhos, existente nos arquivos da Cúria Metropolitana de S. Paulo. Esteia-se na autoridade de Azevedo Marques e na de João Mendes de Almeida. Completando o relatório do Padre Celestino, surgiu o esplêndido trabalho do Dr. João Ranali, baseado nos assentamentos existentes na Cúria Metropolitana, bem assim na autoridade de Teodoro Sampaio, Plínio Airosa, José Machado de Oliveira, Eugênio Egas, Pedro E. Vallin e outros.
O sacerdote, embora aceitando o ano de 1560 para a fundação de Guarulhos, refere-se ao ano de 1555, em que se teria erigido uma capela, antecessora da Igreja Matriz. Diz ele: "Consta que o primeiro livro do tombo, que se perdeu, dava notícias de uma outra igreja, que servia de Matriz, com a invocação de Nossa Senhora da Conceição de Guarulhos, sem que todavia precisasse o tempo de sua fundação. Parece que existia já em 1555, porque nessa época já aquela capela de Guarulhos era filial da Matriz de São Paulo."
Trata-se, confessadamente, de mera suposição, não ratificada pelos, historiadores. E apesar de tal pressuposto haver resultado de um equívoco, na interpretação de um documento antigo, guardamos a convicção de que, ao ser fundado o Colégio inaciano do planalto, uma tribo de índios guarulhos já dominava a margem direita do Rio Tietê, ao norte de S. Paulo de Piratininga.
Tendo alcançado tão elevado prestígio em 1560, ao receber o pelourinho, transformando-se em vila, São Paulo, certamente, já deveria ser um núcleo bem povoado e melhor protegido, sob a guarda daquelas aldeias periféricas, verdadeiros postos avançados. E segundo alguns historiadores, as aldeias de São Miguel e de Pinheiros nasceram concomitantemente com a dos Guarulhos, a qual, sem dúvida alguma, integrava os doze primitivos baluartes da segurança piratiningana.
E quando os jesuítas estabeleceram o controle dos índios guarulhos, ao norte e à direita do Anhembi, deram-lhe também uma capela e a proteção sobrenatural de uma padroeira, pois assim costumavam fazer. A suposição feita pelo Padre Celestino de que a ermida fora levantada em 1555, além de não encontrar base em qualquer dos velhos documentos, não é ratificada por qualquer dos nossos historiadores, nem tão pouco a lógica dos fatos conhecidos induz tal probabilidade. Esse pressuposto nasceu, aliás, de um equívoco no trabalho de interpretação de um velho registro paroquial. Este documento, referindo-se à primitiva capela dos Guarulhos, diz que era "filiada à Matriz ereta em 1555, no hoje Curado da Sé". Consequentemente, o ano de 1555 se refere à Matriz de S. Paulo, depois Curado da Sé, e não à capela dos índios guarulhos.
Observe-se, de resto, que, sendo um dos aldeamentos mais retirados de S. Paulo, não seria provável, logo no ano seguinte à fundação do Colégio, Guarulhos já existisse e, inclusive, tivesse uma capela. Entretanto, pela tradição recolhida por nossos historiadores e pelo confronto dos fatos históricos conhecidos, Guarulhos foi fundado em 1560 e nesse ano ganhou a sua ermida.
Os índios
Com agricultura rudimentar, os índio dependiam mais da caça e pesca. Quando estas escasseavam, transferiam-se para outras plagas. Tais fatos nos levam à certeza, de que várias tribos pisaram e provisoriamente se instalaram neste mesmo chão, antes dos guarus. Mas, tais ocorrências, evidentemente, não importam ao historiador. O que interessa conhecer é o primeiro grupo sedentário aqui precipitado sob a égide da civilização.
Nestas condições, uma das tribos guaianazes, a que chamavam guarus, foi a iniciadora da povoação que lhe tomou o nome, sujeita à ação civilizadora dos inacianos. Convém observar que havia outras tribos de índios guarulhos em pleno sertão paulista, parte dos quais, o Padre Manuel Nunes de Siqueira, vigário de S. Paulo, conduziu e localizou "no sítio chamado Atibaia", isso no ano de 1565 (Aureliano Leite). Para Serafim Leite que identificou os índios gesseraçus, mara-mimins ou guarumimins e guarulhos; Disse que "viviam numa Serra, entre o Rio de Janeiro e São Vicente e apareceram na Bertioga. Existia outro grupo de Maramomins, entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo."
Alberto Ribeiro Lamego, citado por Serafim Leite, diz ainda: "É possível sejam eles os mesmos Sarucus, aldeados em N. S.a das Neves (Couto Reis), na margem esquerda do Rio Macaé, onde Cornélio Fernandes coloca uma aldeia de Guarulhos."
Não há dúvida que uma tribo de índios guarulhos dominava a margem direita do Tietê, ao norte de São Paulo, bem como outras reduções de igual nome existiam no sertão paulista, a exemplo daquela que, em 1565, foi localizada em Atibaia pelo Padre Manuel Nunes de Siqueira. Consequentemente, os maramimins vieram do litoral pelas mãos de Manuel Viegas, em 1595, para constituir um outro núcleo selvático em terras guarulhenses, três léguas além do lugar onde os guarulhos, desde 1560, já se encontravam sob os cuidados cristalizadores dos jesuítas.
O nome da cidade
Para Teodoro Sampaio (O Tupi na Geografia Nacional) Guaru significa o indivíduo que come, o comedor, em alusão ao formato do peixe desse nome, cuja parte ventral é proeminente. Então, para Teodoro Sampaio, os índios guarus tinham esse nome por serem barrigudos. Não diz o escritor onde obteve o informe de que os guarus se notabilizaram por esse aspecto físico. Talvez fosse mera inferência daquele autor, mas o fato é que até hoje a imagem que ficou dos
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primitivos habitantes de Guarulhos é que tivessem tal característica morfológica, seja isso verdade ou não.
Em contato com a língua do colonizador a palavra guaru foi aos poucos se alterando até resultar em Guarulhos.
O dia de Guarulhos - 8 de dezembro
Quando analisamos a fundação de nossa capital, vimos que apesar de Padre Manuel de Nóbrega visitara o planalto paulistano em 1.553, escolhendo o lugar em que se ergueria o Colégio, deixou ali dois jesuítas. Um deles deveria ser o Padre Manuel de Paiva, parente de João Ramalho, e que depois foi Superior da Companhia, e o outro, possivelmente, o Padre Manuel de Chaves. Parece fora de dúvida que, ao chegarem os demais inacianos, já estava construído o pequeno rancho, coberto de folhas de palmeiras e que serviria de igreja, colégio e residência de Anchieta e seus companheiros.
Ali o Padre Manuel de Paiva rezou a primeira missa, a 25 de janeiro de 1554, fazendo-se padroeiro o santo do dia, cujo nome batizou o recém-nascido povoado e cuja data lhe fixou a fundação.
O mesmo se dera com a Vila de São Vicente, fundada por Martim Afonso de Souza, no dia consagrado àquele santo, uma terça-feira, dia 22 de janeiro de 1532 (Serafim Leite).
Se o velho lema dos reis portugueses era "dilatar a Fé e o Império", conclui-se que a fé, ou seja, a religião, notadamente para os heróicos missionários daqueles velhos tempos, deveria presidir a marcha da civilização colonizadora. Assim se deu com a grande maioria das velhas cidades do Brasil-Colônia.
Guarulhos, povoação iniciada por um jesuíta, certamente não poderia fazer exceção. Por isso mesmo nos arriscamos a ir mais longe: se e unanimemente aceito o ano de 1560 como o de sua fundação, e se nesse ano foi construída a capela, ser-nos á mais fácil apontar o mês e o dia: 8 de dezembro.
Se o padroeiro de São Paulo lhe emprestou o nome justamente porque a primeira missa foi rezada no dia da conversão do grande Apóstolo, é lícito admitir que Nossa Senhora da Conceição como padroeira dos Guarulhos justamente porque a primeira missa se realizara no dia 8 de dezembro, dia em que o Catolicismo, consagra à Mãe de Jesus.
Na legislatura municipal de 1948/1952, a primeira pós-restauração democrática, a Câmara aprovou uma lei, iniciativa do Dr. Nicffiau, instituindo o dia 24 de março como feriado local, atentando para a elevação de Guarulhos à categoria de município, o que se deu naquele dia e mês do ano de 1880. Nessa ocasião, lamentou-se a falta de uma data em que se comemorasse a fundação da cidade, evidentemente um fato histórico de muito maior relevo.
Agora já não mais é possível deixar-se tal lacuna. Unanimemente aceito o ano de 1560, o 8 de dezembro se torna irrecusável como data natalícia do povoado, já pelas tradições da época, já porque, sendo um dia próximo ao fim de ano, confere-nos a certeza de que, nessa altura, a redução dos índios guarulhos era um fato.
O município
Guarulhos desmembrou-se da Capital, para erigir-se em vila (município), graças à Lei Provincial n.o 34, de 24 de março de 1880.
Aprovada pela Assembléia Legislativa Provincial, foi sancionada pelo então presidente Laurindo Abelardo de Brito, constando do texto publicado o nome de Francisco Ignácio de Toledo Barbosa (redator) e de José Joaquim Cardoso de Melo, secretário do Governo Provincial.
Uma pergunta que naturalmente se impõe é a seguinte: de quem a iniciativa da criação do Município?
Sabemos que dois ilustres homens públicos, que foram deputados provinciais, estavam intimamente ligados a este rincão: João Alvares de Siqueira Bueno, filho de Guarulhos, e o Padre João Vicente Valadão, que fora, durante muitos anos, o vigário desta paróquia. No entanto, apenas João Bueno fora eleito para a legislatura de 1880/1881, em cujo inicio apareceu o projeto de lei criando o município. Levando-se em conta o espírito dinâmico e hábil de João Bueno, dada a sua condição de filho da terra, aqui residente, deve-se presumir que, sob a cortina dos fatos aparentes, andou a sua providencial iniciativa. o projeto de lei foi apresentado à Mesa da Assembléia na sessão de 14/2/1880, onde tomou o N° 21, cujos signatários foram: Reis França, Oliveira Braga, Campos Toledo, C. Gavião, Barão de Pinhal, Luiz Carlos, João Clímaco de Camargo, Tito Corre, a de Mello e Ferreira Braga.
Talvez por razões psicológicas e conveniências políticas, o certo é que o projeto não foi assinado por João Bueno, que, inclusive, não estava presente à sessão em que foi apresentado aquele documento histórico.
A Lei não fixou as divisas do Município, posto que elas deveriam coincidir com os limites das paróquias que o integravam. Nada a estranhar nisso, pois, no tempo do Império, Igreja e Estado eram unidos.
Daí se poderia concluir que Arujá e Itaquaquecetuba pertenciam a este município, posto que, àquele tempo, a Matriz de Guarulhos centralizava a atividade religiosa daquelas povoações. Pareceu-nos curiosa a comunicação que o Governo Provincial fez à Câmara de Guarulhos, por ofício de 20/10/1888, dizendo haver autorizado a construção de uma ponte sobre o Tietê, na estrada que vai de Santa Isabel à Capital. Não é impossível, mas é improvável que essa estrada fosse a de Arujá - Bom Sucesso - Bairro dos Pimentas - São Miguel. Cremos que o ofício se referia ao caminho Arujá - Itaquaquecetuba - São Miguel. Se assim era, qual a razão desse comunicado oficial, se Itaquaquecetuba e Arujá não integravam a comunidade guarulhense?
O processo cômodo de se relegar à Igreja a fixação das divisas municipais, deveria trazer confusão dessa espécie. O certo é que a autoridade municipal guarulhense jamais se fez presente em Itaquaquecetuba ou Arujá.
Digno de registro é o ocorrido com a anexação de Arujá à Comarca de Santa Isabel, em 1902, sob protestos de Mogi das Cruzes, exatamente quando a população daquele distrito (Arujá) pediu à Assembléia Legislativa Estadual para que ficasse integrando o Município de Guarulhos. Um movimento análogo foi esboçado ali, em 1954, quando sua população tomou conhecimento da criação desta Comarca.
As divisas da Paróquia da Penha, nessa época, não são hoje conhecidas. Contudo, informa a tradição que a linha divisória de Guarulhos com o Município de S. Paulo era fixado por um córrego do atual Bairro do Tatuapé.
A instalação solene do Município se deu com a presença dos edis de S. Paulo. A ata lavrada na ocasião é a seguinte:
"Aos vinte e quatro dias do mês de Janeiro de mil oitocentos e oitenta e um, nesta Vila de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, Comarca da Imperial Cidade de San Paulo, na Casa destinada para sessões da Câmara Municipal da mesma, ao meio dia, comparecerão os Sr. Presidente e Vereadores da Câmara Municipal da Capital, Drs. João Mendes de Almeida Júnior, Américo Brasiliense Almada Mello, Antonio Francisco Aguiar Castro, Augusto de Souza Queirós, Tte. Cel. Antonio José Fernandes Braga, para instalação da Câmara Municipal da Vila de Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos, e dar juramento e posse aos Vereadores eleitos da Câmara Municipal, Capitão Joaquím Francisco Paula Rabello, Francisco Soares da Cunha, Joaquim Rodrigues de Miranda, José de Sant'Anna, Marciano Ortiz de Camargo e José Alves de Almeida Pinho."
Da sessão constou o "juramento dos Santos Evangelhos, pela forma estabelecida no artigo 17 da Lei de 1.0 de Outubro de 182211. Ao fim das solenidade, houve breve alocução do Presidente. A ata foi lavrada por Antônio Joaquim da Costa Guimarães, secretário da Câmara paulistana.
Em ata seguinte, lavrada no mesmo dia, consta a eleição do Capitão Joaquim Francisco de Paula Rabello para presidente da Câmara local. O prédio da Câmara, nessa ocasião, ficava na Rua D. Pedro II, na esquina da Rua Felício Marcondes, no lado direito de quem sobe por esta.
Aos 3 de maio de 1886, pela Lei Provincial N.o 71, Guarulhos perdeu a Paróquia da Penha, que se reintegrou no Município da Capital. E aos 27 de março de 1889, pela Lei Provincial N.o 66, perdeu Juqueri (hoje Mairiporã), que se constituiu um município independente.
O nome completo do Município era "Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos". Esse era, em verdade, o primitivo nome da aldeia, povoação, distrito e paróquia. No entanto, de longa data, era comum dizer-se "Conceição dos Guarulhos ou simplesmente Conceição". Mas, no Governo Tibiriçá, pela Lei N.o 1.021, de 6/11/1906, passou a denominar-se, oficialmente, "Guarulhos".
Logo a seguir, a 19/12/1906, graças à Lei Estadual N.o 1.038, a vila de Guarulhos foi elevada à categoria de cidade. Finalmente, a Lei Estadual N.o 2.456, de 30 de dezembro de 1953, criou a Comarca, com jurisdição no território municipal, cuja instalação se deu, solenemente, a 18 de fevereiro de 1956.
A evolução na história
8-12-1560 - Fundação da vila que se transformaria no município de Guarulhos
25-4-1562 - Início da mineração de Ouro em Guarulhos
8-5-1685 - Guarulhos é elevada a categoria de freguesia
24-3-1880 - Emancipação Política de Guarulhos
24-1-1881 - Toma posse a 1° Câmara municipal de Guarulhos , foi eleito pela mesma o Cap. Joaquim Francisco de Paulo Rebello como 1° Intendente.
11-5-1884 - 1° Iluminação Pública. A Câmara aprova a colocação de 8 lampiões nas rua da freguesia
3-5-1886 - A freguesia da Penha de França deixa de pertencer a Guarulhos e volta a ser anexada à capital
27-3-1889 - A freguesia de Juqueri, deixa de pertencer a Guarulhos e ergue-se em Município
O fim do Império o Início da República
24-11-1889 - Guarulhos toma conhecimento de Proclamação da República
19-1-1890 - Cap. Joaquim Francisco de Paulo Rebello, que desde 1881 vinha ocupando os cargos de presidente e intendente de Guarulhos, passa-os para Antóneo José de Siqueira Bueno
19-12-1906 - Pela Lei Estadual nr 1038, Guarulhos é elevada à categoria de Cidade
29-12-1908 - A Tramway da Cantareira, foi autorizada a construir pelo governo do estado um ramal até o bairro Guaíra e daí passando por Guarulhos, Bom Sucesso e Tomé Gonçalves
3-2-1910 - Rui a Ponte Grande e a travessia do rio Tietê de Guarulhos até o Bairro da Penha de França passa a ser feito de balça
19-5-1913 - È aprovada a lei que autoriza a Light & Power a executar serviços de iluminação pública em Guarulhos , por 30 anos.
30-5-1914 - É inaugurada a Luz Elétrica de Guarulhos
24-2-1915 - O Ramal de Guarulhos da Cantareira foi solenemente inaugurado
1-2-1916 - É inaugurada a estação Vila Augusta no ramal Guarulhos
1-7-1926 - É inaugurado o estabelecimento de ensino no centro de Guarulhos , atualmente EEPG Capistrano de Abreu
O Fim da Primeira República
25-10-1930 - A Junta Governista empossa João Eduardo da Silva para ocupar o cargo de prefeito de Guarulhos
11-11-1930 - Delezinho de Almeida Franco é empossado chefe do executivo de Guarulhos
8-8-1943 - Fundou-se a Santa Casa de Misericórdia de Guarulhos
10-5-1944 - É editado a obra Guarulhos – História – Estatística de autoria do Dr. João Ranali, então delegado de polícia de Guarulhos
13-12-1953 - Rinaldo Poli é empossado como prefeito de Guarulhos, eleito pelo voto direto.
30-8-1958 - A VASP inicia o 1° levantamento aerofotogramétrico de Guarulhos (concluído e 16-6-1959)
7-9-1960 - Início da comemorações do IV Centenário de Guarulhos
8-12-1960 - Guarulhos comemora seus 400 anos
16-7-1963 - É fundada a Associação Comercial e Industrial de Guarulhos.
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Fonte: Cristiana Macedo da Silva - 2006 |
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| Aguardando receitas típicas ou tradicionais desta cidade. |
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Sob o céu desta Pátria querida
mais cem anos de luta e labor
cingem hoje o teu nome Guarulhos,
Que se ergueu por seu próprio valor
Chaminés, como lanças erguidas,
nos apontam o caminho a seguir
trabalhando, vencendo empecilhos,
desfraldando o pendão do porvir.
Tuas praças são livros abertos,
Onde lemos futuro e glória.
Crispiniano e Bueno fulguram
como vultos eternos na História.
Que teu nome em mais um centenário
E na língua tupi proclamado,
seja um hino de paz, de esperança,
por teu povo feliz entoado.
Pequenina nasceste, João Álvares,
Jesuíta, benzeu-te com fé
Tu és hoje cidade progresso,
uma terra que vence de pé
Eia, pois, guarulhenses, avante,
com bravura na luta febril,
Por São Paulo e por tudo o que é nosso,
e, acima de tudo o Brasil! |
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| Esta cidade não possui, atualmente, bens tombados. |
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Conheça a cidade
por suas imagens!
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